14 Abril, 2009

É sem cedilha...

Eu estava aqui pensando em escrever mais um texto acerca de como pretendo ressuscitar esse blog, e tal, mas até eu já estou de saco cheio disso. O problema é que escrever é difícil e eu realmente tenho até pouco o que falar. Até tenho bastante o que dizer mas me falta coordenacão, acho. Apesar de que minha vida é basicamente escrever, o tipo de coisa que escrevo (Matemática) é bem mais fácil de concatenar que perspectivas subjetivas acerca de temas aleatórios.

Coordenacão tem cedilha. Sim, eu sei que a reforma ortográfica não aboliu o cedilha. Eu sei que você não está nem um pouco interessado(a) mas já que eu estou sem assunto mesmo vou falar sobre isso. Incidentalmente, mais um post sobre linguagem, logo após o último, um ano atrás, em minha última tentativa de reativar a bolha.

Eu sempre achei o cedilha, o trema e a crase sub-utilizados. Não exatamente inúteis. Mas sinaizinhos gráficos mínimos com funcões limitadíssimas e ultra-específicas na linguagem escrita que mal se percebem ou se diferenciam de outras formas ortográficas na linguagem falada. É como se tivéssemos inveja dos orientais com seus alfabetos fonéticos de milhares de símbolos e procurássemos nós mesmos manter uma meia dúzia de dificuldades em nosso idioma também. "Sabe esse símbolo aqui, meu caro amigo Chinês?" "Tudo bem. Eu nunca vou dar conta de aprender sua língua mas se você for aprender a minha também nunca vai saber como usá-lo corretamente 100% das vezes. Nem eu sei!"

Quem é que diferencia um A craseado de um A não craseado na linguagem falada? Quem é que segura o sibilar do cedilha apenas para a sílaba que se inicia com mesmo? Hein? Foi essa a diferenca entre o cedilha e o SS de que tomei conhecimento. Quando a palavra se escreve com cedilha, o sibilado deve ser pronunciado apenas na sílaba do cedilha, enquanto que o sibilado do SS comeca na sílaba anterior. Você sabia disso? Ensina isso direitinho pro seu filho quando estiver ensinando ele a falar, viu? Faca me o favor...

O trema já foi. Vamos ver quanto tempo vai demorar até que a tecla à direita do L no teclado ABNT2 perca sua funcão. Acho que a crase cai antes. Tenho a impressão de que algumas pessoas vêem (ou veem) um certo charme no cedilha. Vai demorar muito até que escrevamos "funssão", que nem "impressão", se é que isso vai um dia acontecer.

Bom, isso não explica a ausência do cedilha, que também não está simplesmente substituído pelo SS ao longo deste post. O problema é preguica mesmo. E eu também não me queixo tanto assim do cedilha quanto me queixava do trema e me queixo da crase. Meu teclado internacional não tem cedilha e se eu teclo ' + c o resultado é um belo ć! Daí vai o C sem a "perninha" mesmo, pelo menos até o dia que eu tiver paciência de arrumar.

30 Março, 2008

Não é de verdade, é nojento, é constrangedor. Dessa regra para as vírgulas eu me lembro muito bem. É bem mais que isso; o dono da padaria continua vivo.

É muito difícil falar sobre alguma coisa sem mencioná-la explicitamente. Tudo bem, eu talvez não devesse ter usado o vocábulo "coisa". Ok. Minha redação foi reprovada no vestibular da UnB. Mas tenho certeza de que sua leitura estaria fluindo muito melhor se você não tivesse pensado nisso.

A propósito, já que é mais fácil falar sobre isso do que sobre o que me aflige de verdade, vamos lá. Qual é o nome de Deus? Alguns dizem que a pronúncia mais próxima é algo como "Iavé" e as pessoas geralmente escrevem "Javé". É assim que algumas traduções do Antigo Testamento apresentam o nome pelo qual o que hoje os Cristãos chamamos simplesmente de Deus era conhecido. Mas como sabem que esta é a pronúncia mais próxima? Cadê a pronúncia correta para compararmos?

Isso para mim resume tudo. Se não se consegue preservar nem mesmo o nome de Deus, acredito que qualquer tentativa de preservar o resto é vã e ingênua.

O ser humano cria linguagens para serví-lo, e não o contrário. Tão certo quanto é o especial do Roberto Carlos no fim do ano na Globo, o dono da padaria vai morrer e seu filho vai assumir o negócio. Que Javé (?) tenha misericórdia!

17 Dezembro, 2007

Feliz Natal e Volte Sempre!

Tem tempo que eu quero ressucitar esse blog. Minha última tentativa foi no dia 17 de Dezembro de 2007. Comecei a escrever o texto abaixo, que parou no ponto em que se encontra, não me lembro por quê. É com ele mesmo que eu faço mais uma tentativa de voltar.


"Eu não deveria estar aqui escrevendo, já que meu braço dói. Sou um motor. Piada interna difícil de explicar. Mas ano passado funcionou tão bem que eu resolvi tentar de novo.

Ontem nasceu mais um malfeitor em nosso país. Provavelmente nasceram vários mas eu quero falar de um em particular. Envergonho-me de nem saber seu nome, pois isso somente piora as coisas. Mas jamais irei me esquecer da forma como ele me olhou pela última vez. Eu poderia ter feito alguma coisa. De fato, eu sabia o que eu poderia ter feito. Mas não fiz. E por isso envergonho-me.

Quando eu passei por ele pela última vez, senti seu olhar me dizer: você me entende; eu só queria que alguém tivesse me ensinado a cantar; isso já é alguma coisa mas está longe de ser tudo, já

Quem me conhece sabe a aversão que eu tenho por telefones celulares. O telefone celular certamente estará na continuação do post Dez invenções estúpidas (Parte I/II). Lá eu explico.

Era um coro bonito. Afinado, forte, apesar de pequeno, cantando belas canções de Natal na porta de uma loja da VIVO, no caminho para o Banco. Graças a Deus sou imune a propagandas de telefone celular. Não haveria o menor risco de eu querer chegar ao menos perto da vitrine, então resolvi descer do cavalo para acompanhar um pouco da cantoria.

O ser humano é tocado pelo que é bonito. Isso é fato. Não estou falando de mim não. Estou falando de um ser provavelmente muito mais humano que eu. Mas ele não poderia estar ali. Pelo menos é o que pensam os donos do mundo. Estes também pensam que uma balinha deveria ser o suficiente para comprar seu silêncio e sua ausência da cena. Não podemos arriscar sermos humanitários e perder clientes. O importante não é o Natal, mas a quantidade de celulares que conseguimos vender nessa época do ano.

Você deve estar pensando: mas isso é óbvio, não é? Bem óbvio! Tá. Eu sou apenas mais um imbecil metido a besta pensando que está inventando a roda escrevendo uma coisa dessas. Mas e você?"

24 Dezembro, 2006

Considerações Finais

Ninguém quer saber da velha louca. A menos de seis horas do momento escolhido para celebrar o nascimento do Papai No...quero dizer, do nosso (ou pelo menos do meu) Senhor Jesus Cristo, talvez a pior discussão do ano com a minha mãe. Uma indignação tremenda com minha irmã porque ela simplesmente ignora o combinado sobre não fumar no carro. Mais um comentário irônico e mal pensado da minha avó. Etcétara.

Eu gostaria muito de acreditar que o que eu irei presenciar dentro de mais ou menos duas horas é um acesso de boa vontade coletiva seguido de um esforço inconciente de harmonizar a existência. Mas, baseado na minha experiência com estas pessoas (felizmente neste momento não me refiro às pessoas citadas direta ou indiretamente no primeiro parágrafo), não consigo ver o que irá acontecer como mais que um evento acima do nível médio de falsidade. Não consigo ver que não iremos apenas cumprir o calendário oficial da República Federativa do Brasil.

Não estou em clima de Natal. Não quero tirar fotos com a família. Não quero conviver com a minha família. Não quero conviver com ninguém. Espero que este desabafo e o banho que eu irei tomar em seguida me faça mudar de idéia.

Apesar de tudo, desejo a todos um ótimo fim de ano. Boas festas. E que 2007 seja mais do que todos nós esperamos. Mas "Feliz Natal" eu só consegui dar até meia hora depois que eu acordei. Não sei mais o que é Natal. Até uma semana atrás eu estava estudando diariamente das dez da manhã às onze da noite, não tive tempo para refletir a respeito do assunto. Teve gente que trabalhou até as onze da noite ontem e não teve tempo de refletir a respeito do assunto também. Tem gente que vai trabalhar até as onze da noite hoje e tem gente que vai varar a madrugada trabalhando. Enfim, tem gente de todos os tipos e não é sobre isso que eu estou falando.

Grande abraço a todos e até Janeiro!

16 Dezembro, 2006

Carta de suicídio

A imperfeição humana é insuportável. Mas não falo de tirar a própria vida. Este tipo de suicídio foge à minha compreensão. No entanto, estou determinado a fazer o que eu puder para evitar a perpetuação da espécie humana. E tenho convicção de que esta será minha opinião pelos próximos dez anos, no mínimo.

30 Novembro, 2006

pROCURANDO MANTER O RITMO

Tem uma coisa que sempre me deixa em dúvida, que eu nunca sei como fazer. Como devemos escrever o título de um texto? Com todas as iniciais maiúsculas? Com as iniciais maiúsculas apenas do que não é artigo, conjunção ou coisas desse tipo? O ponto final entra ou não? Eu nunca sei como fazer e nunca estou satisfeito com o resultado estético do que eu acho que é a forma correta em cada momento. (É que vai mudando...) Tudo seria mais fácil se não existissem as letras maiúsculas.

o experimento não vai gerar respostas satisfatórias por dois motivos: meus leitores são internautas habituados a não usar letras maiúsculas; além disso, meus leitores são muito poucos. vale mencionar que o "ponto e vírgula" (;) também tem sido usado por mim da forma que eu acho mais conveniente. vocês já repararam o que está acontecendo, né?

pois eu acho que todo mundo deveria cursar matemática (deu agonia não escrever esta palavra com letra maiúscula, mas isso a gente supera), antes de mais nada. os escritores, advogados, profissionais do judiciário e legisladores em particular, além de membros de várias outras classes das quais não me recordo agora. não se pode duvidar que a matemática (deu agonia de novo) está muito além da mera obra de arte composta de escritos, símbolos e gravuras incompreensíveis ao não-iniciado. acho que o impacto provocado por uma página de matemática (ai!) não pode ser diferente do impacto provocado por uma página de árabe. a partir do momento que você entende o poder de síntese que os símbolos tem, dá vontade de aplicar isso em todas as instâncias de sua vida.

uma letra maíuscula para indicar que uma frase está começando é algo completamente redundante se você já marcou o fim da frase anterior com um ponto final, um ponto de exclamação, um ponto de interrogação ou algo do tipo.

levantei para ver como meu avô estava e perdi o ritmo...

20 Novembro, 2006

"Laser" II: A Missão

Por que "A Missão"? No primeiro da sequência não havia nenhuma missão? Ou é por que essa é "a" missão, no mesmo sentido de quando falamos que fulano é "o" cara? A propósito, está dando para entender o uso das aspas?

Sobre o que era isso mesmo? Talvez esse excesso de expontaneidade possa estar começando a incomodar e ficar repetitivo, mas na verdade eu não dou a mínima. Muitos posts neste blog levaram semanas para ficarem prontos. Eu sentava depois do almoço e escrevia algum parágrafo sobre alguma coisa. No dia seguinte escrevia outro. Quando eu tinha uns cinco parágrafos eu dava uma lida geral, arrumava algumas coisas e aí sim postava. E daí? Bom, hoje eu sentei e comecei a escrever. E como as coisas são bem mais circunstanciais do que imaginamos, só estou fazendo isso por que o único comentário do meu último post me lembrou de que este blog existe.

Cara, isso está começando a parecer com alguns blogs que eu andei vendo por aí. O sujeito chega da escola e começa a falar um monte de abobrinhas que representam os problemas que ele está vivendo no momento e as coisas acabam ficando meio assim, do jeito que este post está começando a ficar. Não é à toa que daqui a três minutos eu o irei reler e passar a o considerar o pior post de todos os que eu já escrevi.

Tá. O "II" se referia a alguma coisa do post anterior, que seria tratado de um modo um pouco diferente. Mas este método de meditação que eu acabo de inventar parece que funcionou mesmo e eu acabei me esquecendo de verdade qual era o problema pessoal que eu tinha pra discutir no momento. Que bom.

Pronto. Passaram-se os referidos três minutos, eu agoro posso afirmar com convicção que este é o pior post que eu já escrevi e vai ficar por isso mesmo. Para que eu não vá parecer tão imbecil, na minha releitura eu achei que deveria mudar muitas coisas e ficou faltando explicar por que eu comecei a falar sobre como eu costumava elaborar meus posts anteriores. Mas vai ficar tudo assim mesmo. Afinal de contas, como eu poderia explicar pra vocês por que me veio à cabeça a imagem da rua que descíamos do lugar onde minha mãe morava em Petrópolis para pegar o ônibus para o centro da cidade?

29 Setembro, 2006

"Laser"

Na vida, para qualquer espécie de ganho - em dinheiro, em estatura pessoal, o que quer que se defina como "ganho" -, você tem de arriscar um pouco do seu capital material e/ou emocional. Tem de comprometer dinheiro, tempo, amor, alguma coisa. Esta é a lei do universo. A não ser por pura sorte, não há como escapar. Nenhuma criatura na face da terra está isenta de obedecer a esta lei impiedosa. Para virar borboleta, a larva precisa engordar, é obrigada a se aventurar por onde há passarinhos. Não tem apelação: é a lei. (Max Gunther; Os Axiomas de Zurique)


É a lei mesmo? Diria que estou passando por um momento em que acreditar nisso seria o mais eficiente dos lastros para a continuidade da minha existência. Há muita coisa em jogo. Hoje a perda foi quase total. Mal sei dizer o que sobrou. Apenas fé, amor e esperança. Pelo menos esperança. Não estou em condições de posar como "o bom cristão". Fé também, ok. Mas amor está faltando. Sem perdão não há amor e está faltando muito perdão ainda. Assunto para outro post.

Ouvi dizer que mais adiante o autor deste mesmo livro recomenda, ao contrário do senso comum, que coloquemos todos os nossos ovos no mesmo cesto. Pois farei mais que isso. Vou colocar todos os ovos no mesmo lado do cesto e deixar ele na beirada da mesa com o lado onde estão os ovos o mais para fora da mesa possível. O que eu tenho a perder? Comecei com nada e com menos que nada não posso terminar. Além disso, o negócio é olhar a longo prazo. Não dá para analisar o que está acontecendo baseado em tão pouca informação. Isso é perdão e isso é amor!

Bom dia!

13 Agosto, 2006

Eu te amo é bom dia sim!

Tenho visto no Orkut comunidades muito cheias com títulos do tipo "Eu te amo não é bom dia!", onde reclama-se da banalização do uso do verbo amar. Minha primeira atitude foi a de procurar tal "banalização" no meu universo. Não sei se é exatamente isso que os participantes destas comunidades querem dizer mas me dei conta de que meus amigos evangélicos me falam "Eu te amo!" com significativa mais frequência que meus amigos não-evangélicos. Bom, não sei quanto a vocês mas, em tempos onde mal se vê as pessoas dizerem "Bom dia!" umas para as outras, eu acho que o uso do verbo amar tem mais é que ser banalizado mesmo! E se um dia a palavra se tornar muito fraca, não se preocupem, surgirá uma mais forte para cumprir o papel que ela assume hoje em dia. Este não é o primeiro ponto a ser considerado, mas acabei de pensar nisso e acho que se encaixa bem nesta parte do texto. A língua evolui e algo como "vá à merda" (putz, de novo!), que já foi uma grave ofensa, se torna algo agradável aos ouvidos de muitos.

É muita pretensão julgar que a pessoa não te ama de verdade e não deveria estar lhe falando aquilo com tanta naturalidade. Pelo contrário, em um mundo onde existem comunidades virtuais com milhares de pessoas reclamando dos grudentos que repetem o tempo inteiro "Já disse que eu te amo?", que quase qualquer coisa é motivo para se achar que fulano está dando em cima de beltrana ou vice-versa e que praticamente qualquer atitude é indicativa de segundas intenções, dizer "Eu te amo!" deve ser relativamente difícil. Pelo menos eu sou um dos que gosta de usar "Eu te amo!" como bom dia e acho difícil fazê-lo da maneira que eu gostaria. Às vezes eu demoro bastante até ter certeza de que a pessoa entenderá realmente o que eu estou querendo dizer.

Qual é? Quem é o mané que não gosta de ouvir eu te amo? Você prefere eufemismos do tipo "Você é fantástico(a)!" ou "Cara, te adoro!"? Você prefere que não lhe digam nada? Eu posso te mandar ir à merda, se você quiser. Mas prefiro falar que eu te amo!